quarta-feira, 28 de junho de 2017

6 causas da perda de massa muscular

Conheça os fatores que abrem caminho à sarcopenia, uma degeneração dos músculos, e monte seu plano de prevenção ou contenção.

 

Como todo processo associado ao envelhecimento, a perda de massa muscular está relacionada a alterações fisiológicas que ocorrem naturalmente ao longo dos anos. A queda dos níveis de testosterona, por exemplo, impacta na síntese de proteína, fundamental para a formação dos músculos. No entanto, alguns hábitos são determinantes para prevenir ou acelerar esse problema, que tanto interfere na qualidade de vida. Atenção aos principais:

1) Sedentarismo

O músculo precisa de estímulo para manter seu vigor. Ficar parado, portanto, é um dos principais motivos que levam o corpo a se tornar cada vez mais mirrado.

 

2) Alimentação desequilibrada

Proteína é fundamental, mas não podemos esquecer os carboidratos. Se eles faltarem, a proteína é desviada para gerar energia e os músculos ficam desabastecidos.

 

3) Vício em cigarro

Já se sabia que o tabagismo arruína as células dos ossos, favorecendo a osteoporose. Mas pintam indícios de que ainda soma prejuízos às fibras musculares.

 

4) Abuso de bebidas alcoólicas

O consumo excessivo de álcool, embora não seja causa direta da sarcopenia, pode ter efeitos nocivos sobre o tecido muscular esquelético e diminuir a massa magra.

 

5) Uso crônico de remédios

Lançar mão indiscriminadamente de corticoides e medicamentos à base de hormônio pode conspirar em favor do enfraquecimento da musculatura.

 

6) Noites maldormidas

A redução na quantidade e na qualidade das horas de sono corrompem a renovação do tecido muscular, colaborando para a sarcopenia.


Este conteúdo foi originalmente publicado no site da Saúde.

Fonte:  Exame Abril - Saúde

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Depressão em idosos: os riscos e as armadilhas da doença nesta fase da vida

Na velhice, alguns sintomas podem não ser expressados claramente, sendo, inclusive, confundidos com sinais de outros problemas.

A trajetória profissional é concluída e chega a aposentadoria, percebe-se um afastamento gradual dos que antes viviam mais próximos, fica cada vez mais nítida a noção de que a vida é finita – morrem parentes e amigos, surgem doenças, o corpo não funciona como antes. Envelhecer, como o dia a dia insiste em comprovar, é conviver com perdas, que são gatilhos para um mal muito frequente na terceira idade: a depressão.

 

Com o avançar da idade, as dificuldades podem se acumular ou se apresentar a intervalos curtos de tempo. Imagine uma pessoa que acabou de se aposentar e tem de lidar com uma queda substancial nos rendimentos e o excesso de tempo ocioso a ser preenchido. Ao mesmo tempo, ela descobre um problema crônico de saúde – em média, um idoso apresenta quatro enfermidades simultâneas – e, de repente, recebe a notícia da perda de um amigo de longa data. O psiquiatra Eduardo Hostyn Sabbi, coordenador do Departamento de Psicogeriatria da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), faz uma comparação:

– É como um garçom que está recolhendo os pratos da mesa. Daqui a pouco ele vai ter mais pratos do que os braços dele podem carregar. Perdas consecutivas têm um impacto superpesado.

A depressão atinge, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, até 5% dos idosos que vivem em comunidade. Os números mais do que dobram em se tratando daqueles internados em hospitais (11,5%) e dos doentes em homecare (13,5%).

O envelhecimento progressivo da população é um fator importante a ser considerado. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a proporção de pessoas acima de 60 anos vai quase duplicar até o ano de 2050, passando de 12% para 22% do total (de 900 milhões para 2 bilhões de indivíduos).

– Como vamos viver mais, vamos viver mais com a depressão também – comenta Ricardo Barcelos Ferreira, psiquiatra com especialização em psiquiatria geriátrica e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais.

A depressão é mais comum em algumas famílias, repetindo-se de geração em geração, explica o geriatra João Senger. Herdada ou não, está frequentemente associada a alterações neuroquímicas no cérebro, principalmente na velhice. Os quadros depressivos podem ter características peculiares entre os mais velhos. Grande parte dos pacientes não relata, objetivamente, sentir tristeza. Eles tendem a apresentar queixas quanto a dores no corpo, alterações no apetite e no sono, perda ou ganho de peso, falta de ar, diarreia ou constipação, má digestão. Também são comuns sintomas como irritabilidade, ansiedade, perda de interesse, esquecimento e dificuldade de concentração.

– A apresentação é atípica: não podemos ficar esperando que o paciente diga que está triste, chorando, sem ânimo. Ele pode também não se dar conta de que está deprimido. Às vezes, o médico diz que é um quadro depressivo, e o paciente não aceita – destaca Senger.

A personalidade de cada um é determinante para a forma como esse período da existência será encarado, e a capacidade de adaptação a adversidades e mudanças pode ser maior ou menor. Pessoas de baixa autoestima, com uma visão pessimista do mundo ou suscetíveis ao estresse estão mais predispostas à depressão. Aquelas de personalidade mais narcisista, por exemplo, podem encontrar dificuldade para aceitar alterações estéticas como as rugas e a flacidez. Outras, menos maleáveis, talvez sofram com mudanças repentinas, como a perda do emprego.

Traços de personalidade se acentuam – a velhice é uma caricatura do que a pessoa foi, explica Senger. Se você sempre teve o mau humor como um traço marcante, deverá se tornar um idoso mais mal-humorado ainda. Quem sempre foi dócil vai ter essa característica intensificada. Mas o geriatra atenta para ideias equivocadas muito disseminadas que podem prejudicar o diagnóstico e retardar o tratamento de doenças. Costuma-se atribuir certos problemas e dificuldades à terceira idade, como se fossem típicos dessa fase e contra os quais não se pudesse nada fazer: "É da idade", fala-se com frequência.

– Esses termos deveriam ser banidos. Não é "da idade". Envelhecer não é doença. Pode haver uma lentificação, caminhar mais devagar, pensar mais devagar, mas o envelhecimento não faz com que você não consiga mais fazer isso ou aquilo. A limitação e a perda de funcionalidade vêm por doença, não por envelhecer. As pessoas dizem: "Ah, mas com essa idade é normal que não consiga mais fazer isso". Não, não é normal – contesta o geriatra.

Habituadas a seguir um calendário de consultas e exames desde cedo, as mulheres não resistem a procurar um médico quando algo não vai bem. Já para os homens, a tarefa não parece ser tão simples

– resistem, ao longo de toda a vida, a bater na porta dos consultórios.

– É mais fácil uma mulher chegar e dizer para o médico "estou com depressão", ou qualquer outra doença, do que os homens. É mais fácil o homem se tornar um alcoólatra do que procurar um laboratório para se tratar – conta o psiquiatra Ferreira, salientando que a depressão é mais frequente entre as idosas.

Benefícios de uma vida mais regrada

A terceira idade é também reflexo dos hábitos mantidos durante décadas – a boa ou a má alimentação, a prática de exercícios ou o sedentarismo, a exposição cuidadosa ou exagerada e desprotegida ao sol. Para os que foram relapsos, um aviso: há como se ter algum benefício mesmo depois de uma vida inteira desregrada. Praticar exercícios físicos é sempre bom, funcionando também como medida preventiva e de combate à depressão – a liberação de endorfina proporciona a sensação de bem-estar e melhora o humor. Integrar-se a grupos é uma ótima iniciativa.

De acordo com o gosto pessoal, pode-se procurar aulas de dança, canto, trabalhos manuais.

Dependendo da natureza da atividade, trabalham-se duas habilidades ao mesmo tempo: um grupo de caminhada propicia, além do exercício, a interação, enquanto a turma que se reúne para jogar canastra está trabalhando também a cognição, importante no combate às demências. Adotar um animal de estimação é outra boa iniciativa. A família pode ajudar orientando o idoso na integração e na escolha dos passatempos. No caso do paciente diagnosticado com depressão, é imprescindível se submeter a tratamento.

– A pessoa que teve um infarto por causa de uma aterosclerose corre mais risco de ter um segundo do que a pessoa que não teve. A que já teve depressão corre mais risco de ter de novo. Se ela não resolve os fatores (que a levaram a isso), vai, daqui a pouco, refazer o quadro frente a outra situação. Não deve ser só um tratamento químico, vou no psiquiatra e ele me dá um remédio. É importante entender por que desenvolveu a depressão, modificar o estilo de vida e evitar episódios futuros – aconselha Sabbi, da APRS.

Quem nunca sofreu de depressão pode ter dificuldade para compreender como se sente o paciente nessas condições. O apoio efetivo da família, destaca Senger, é fundamental.

– Não adianta dizer "o dia está bonito", "mas não lhe falta nada", "você tem que se ajudar". Não ajudamos as pessoas assim. Podemos perguntar: "O que eu posso fazer para ajudá-lo?" – exemplifica o geriatra. – Uma medida importante é fazer com que o idoso perceba que ainda pode ser feliz e valorizar as coisas boas ao seu redor – conclui.

Prepare-se para se aposentar

Pode-se passar um bom tempo fazendo planos para depois da aposentadoria, aquele que parece ser o período de maior qualidade de vida possível. Viagens, cursos, tardes na companhia dos netos, happy hour com os amigos – dias inteiros dedicados a atividades que proporcionam prazer, sem ser regulado pelo relógio. Para que essa época tenha mais chance de se concretizar como uma fase feliz quando finalmente chegar, é preciso preparação. Do contrário, há grande risco de que o encerramento da carreira profissional acabe se transformando em um gatilho para a depressão.

Não é incomum que até mesmo as relações conjugais sofram abalos quando um dos parceiros, que durante décadas se manteve trabalhando da manhã à noite, de repente começa a ficar o dia inteiro em casa. Se os períodos de aposentadoria do casal coincidirem, aí serão os dois cheios de tempo livre e tendo de conviver intensamente.

– O casamento, que antes se mantinha por conta das outras relações, pode começar a ficar complicado – aponta o psiquiatra Eduardo Hostyn Sabbi.

João Senger observa que as mulheres, com um perfil em geral mais versátil e multitarefas, costumam se adaptar melhor à aposentadoria. Aos homens, às vezes a falta da identidade profissional é sentida de maneira mais profunda, e a brusca mudança no cotidiano pode implicar sérias consequências.

– Se o homem fica sem atividades, geralmente perde sua identidade, o que leva a ter um sentimento de inutilidade frente à vida. Pode se deprimir e ficar com a imunidade baixa, dando abertura ao aparecimento de enfermidades como câncer. É o que chamamos de "câncer do aposentado" – descreve o geriatra.

– É preciso se organizar com antecedência para não ter que passar por aquele período vazio. Se a pessoa não se prepara, é desastroso.

Risco de suicídio é ampliado

A parcela idosa da população tem alto risco para suicídio. Psiquiatra com especialização em psiquiatria geriátrica, Ricardo Barcelos Ferreira alerta que o risco de tirar a própria vida é maior entre idosos do que na população adulta jovem.

– O idoso chega a tentar o suicídio sete vezes mais do que o adulto jovem. Os idosos tentam mais e consumam mais o suicídio do que a população em geral – alerta Ferreira.

Eduardo Hostyn Sabbi adverte que comentários acerca da morte ou do desejo de morrer não devem jamais ser ignorados. Pensar que "quem fala não faz" ou "quem quer se matar se mata", frisa o psiquiatra, são preconceitos que devem ser abandonados. Quem ouve manifestações na linha de "acho que já fiz tudo o que tinha de fazer", "não vale mais a pena viver", "não vejo a hora de a minha viagem ser completada" ou "estou louco que chegue o trem para eu embarcar" deve tomar uma atitude.

– São pedidos de ajuda – esclarece Sabbi. – Converse, incentive o desabafo. O assunto já estará posto na mesa. Às vezes, só isso já resolve, ou pelo menos se pode dar um encaminhamento.

Além das medidas já citadas, como participar de grupos e manter laços sociais, outros importantes fatores de proteção ao idoso, segundo Sabbi, são conviver com filhos e netos, praticar a religiosidade e manter contato com profissional de saúde, que possa ser acionado em dificuldades regulares e nos momentos críticos.

Falta de memória pode ser uma pista

Problemas de memória, como a dificuldade para se lembrar de nomes e procedimentos simples ou dos lugares onde objetos foram deixados, podem ser sinal de depressão, e não das temíveis demências. Quadros com queixa de esquecimento na terceira idade são desafiadores para os médicos: uma demência pode começar a se manifestar com um estado depressivo, enquanto a depressão também pode provocar dificuldades de memorização.

Em geral, quando se trata de depressão com distúrbios de memória, o paciente é medicado, melhora e, consequentemente, atenuam-se os sintomas relativos ao esquecimento. Mas os episódios depressivos, principalmente se estiverem ocorrendo pela primeira vez na vida, podem indicar uma demência.

– Uma pessoa com doença neurodegenerativa apresenta perda das suas capacidades cognitivas, com repercussões inclusive na parte emocional, e uma primeira manifestação pode ser a depressão – explica o psiquiatra Eduardo Hostyn Sabbi.

Diante da constatação de problemas de memória, o idoso deve procurar um especialista para que se possa fazer uma investigação do caso.

– Ainda que demande muitos cuidados, o diagnóstico de depressão é uma notícia "melhor" do que a de uma demência como a de Alzheimer, por exemplo. Com os recursos atuais da medicina, a depressão é potencialmente tratável e tem cura, mas o Alzheimer ainda não – afirma Sabbi.


Depressão e outras enfermidades

A saúde mental impacta a saúde física, e vice-versa. Um idoso que tem uma doença grave ou crônica está mais sujeito a desenvolver depressão, e a depressão pode complicar a resposta ao tratamento para outras enfermidades, como um problema cardíaco.

Em sua tese de doutorado, defendida na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o psiquiatra Ricardo Barcelos Ferreira avaliou a prevalência da depressão em idosos. A partir da amostra estudada e da revisão de outros estudos, Ferreira investigou a relação entre algumas enfermidades e a probabilidade de que o paciente desenvolva também depressão.

  • Mais de 20% dos adultos acima de 60 anos sofrem de transtornos mentais ou neurológicos. Demência e depressão são os problemas mais comuns.
  • Cerca de 80% dos idosos, destaca o CDC, têm pelo menos um problema crônico de saúde, e 50% apresentam dois ou mais.
  • A depressão é mais comum entre pessoas que sofrem também com outras enfermidades – como condições cardíacas ou câncer – ou cujas funções se tornam limitadas.

Fonte: Jornal Zero Hora

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Perda de massa muscular na terceira idade tem reflexos sérios na qualidade de vida do idoso

A falta de exercícios físicos e a alimentação desregrada podem agravar a perda de massa muscular na terceira idade, transformação que tem reflexos sérios na qualidade de vida de idosos.

De acordo com o médico da família, Carlos Sandro Dorneles, o emagrecimento involuntário é um dos sinais da perda de massa magra, composta pelos músculos que sustentam e dão força ao corpo. Além disso, ele cita que existe uma perda da massa muscular normal da idade, entretanto, com uma alimentação coerente e prática de exercícios regulares como caminhada e corrida, é possível retardar esse processo e ganhar saúde.

Atividades como natação, hidroginástica e dança também são boas opções de auxílio na recuperação da massa magra e melhor desempenho cardiovascular. Mas se o corpo frágil dos idosos for submetido a toda essa malhação sem os nutrientes necessários, em vez de bons resultados, os exercícios podem ter consequências negativas. Exercícios de impacto são os recomendados para surtir o efeito desejado de ganho de massa.



O médico ressalta ainda que quem está na terceira idade deve consumir carboidratos – reserva energética – cerca de três horas antes de encarar a academia – ou a falta de energia durante os exercícios será inevitável. A garrafinha de água também é acessório indispensável, pois idosos tendem a desidratar mais rapidamente que pessoas de menor idade.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Geração 100 mostra como vive a terceira idade no Reino Unido

Conheça a história de um neurologista de 93 anos que estuda doenças do cérebro na terceira idade e viaja o mundo todo sozinho.

Clique aqui e assista o vídeo!

O IBGE divulgou um relatório que mostra que a expectativa de vida dos brasileiros que nasceram em dois mil e quinze está superior a da média mundial! É isso mesmo. Aqui no Brasil, a esperança de vida é de 75 anos e cinco meses, enquanto no balanço divulgado pela Organização Mundial da Saúde, é 71 anos e quatro meses. É claro que esses números retratam a situação média. Tudo depende da qualidade de vida e do acesso aos cuidados que garantem a longevidade.

A repórter Cecília Malan mostra pra gente como vivem os idosos no Reino Unido, onde o número de centenários nunca foi tão alto - são quase 15 mil! E são mais de 500 mil pessoas com mais de 90 anos vivendo no Reino Unido.

As mulheres representam 70% desta população, mas a expectativa de vida masculina está recuperando o atraso, graças a melhorias no atendimento médico, nos padrões de moradia e no estilo de vida dos idosos.

Robert faz parte dessa expectativa. A repórter passou uma tarde na casa dele, ouvindo as histórias de quem já viveu quase um século e anda preocupado com o estado atual do mundo. "O ser humano tem uma extraordinária capacidade de adaptação, mas às vezes isso significa aceitar o que não deveria ser aceito", ele diz.

A casa dele é cheia de tudo: histórias, memórias, suveniers de viagens, obejtos que contam uma vida de 93 anos - a vida de Robert.

Robert nasceu na Hungria em 1923. Durante a Segunda Guerra Mundial, como homem judeu, foi enviado pelos nazistas a um campo de trabalho forçado. Sobreviveu, mas quando os soviéticos invadiram o país durante a revolução húngara, de 1956, ele decidiu que era a hora de abandonar a terra natal.

O diploma de médico foi bem aceito no Reino Unido, onde ele se especializou em doenças neurológicas como Mal de Alzheimer e criou os dois filhos, ao lado da esposa Edma.
Atualmente, já viúvo, as plantas, a música e os livros são seus os melhores companheiros. Ele também costuma viajar pelo mundo e mostrou as fotos de sua última aventura, no Vietnã, onde ele registrou um encontro inusitado. Robert conheceu um casal que está junto há 67 anos! Viu neles um pouco de si mesmo: energia, resiliência e amor pela vida.

Fonte: G1

quarta-feira, 31 de maio de 2017

A importância do toque físico na terceira idade

O toque de carinho, de apoio nos movimentos e os abraços espontâneos estimulam o funcionamento neurológico, melhoram a circulação sanguínea e aumentam a autoestima.

Desde pequenos, necessitamos muito do toque físico, do contato dos entes queridos, do carinho aconchegante. Isso não só fortalece nossos vínculos emocionais, como define nossa identidade. Através dos diferentes toques (suave, forte, intenso, etc.), vamos aprendendo como nos relacionar com as pessoas, vamos obtendo noção de limites e, principalmente, vamos aprendendo a amar.

Com o idoso não é diferente, pois, enquanto os filhos e netos estão atarefados com suas correrias diárias, às vezes, ele está com pouca ocupação passando grande parte do dia sozinho. Então, o toque de carinho, de apoio nos movimentos, os abraços espontâneos, são fundamentais para estimular o funcionamento neurológico, melhorar a circulação sanguínea e aumentar a autoestima do idoso.

Valem massagens com óleos e cremes aromáticos, cafunés nos cabelos macios, movimentos circulares no rosto, pequenos alongamentos nos dedos das mãos, assistir televisão de mãos dadas, e tudo que nossa imaginação inventar. A própria pessoa pode – e deve – estimular sua pele, estabelecendo um contato gostoso, conversando com seu corpo.

Com a idade, a pele vai ficando mais fina e às vezes ressecada. Então é fundamental delicadeza ao tocar o idoso, sempre respeitando o ritmo do outro. Também é muito importante a pessoa que convive ou cuida de idosos aprender a se colocar no lugar dessa pessoa e tentar funcionar como ela. Por exemplo: idosos com dificuldade de locomoção são muito beneficiados quando o cuidador ou parente mostram no próprio corpo da pessoa qual movimento desejam que ela execute. Essa informação corporal, vivencial, é mais eficiente que a intelectual.

Nosso corpo guarda através da pele – o maior órgão humano – todas as informações sensoriais que vivemos e, por isso, concentra várias emoções e sentimentos. Se tivemos desde a infância, e ao longo das diferentes fases de desenvolvimento, toques agradáveis, afetuosos, divertidos, construímos uma identidade equilibrada e socialmente empática.

Mas, se ao contrário, fomos mal tratados, beliscados ou castigados, ou, ainda, se fomos criados sem carinho físico, as memórias sensoriais serão desagradáveis e/ou ambíguas. Portanto, é fundamental conquistarmos a confiança dessa pessoa antes de tocá-la para acima de tudo, respeitá-la.

O contato físico nos inclui num grupo, fortalece as conexões emocionais, nos dá mais segurança. Vamos lembrar-nos desse importante ingrediente da saúde emocional de todos nós!

Fonte: Portal Terceira Idade 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Pesquisa explica por que a variação de temperatura é perigosa para pessoas idosas

Idosos foram submetidos, de maneira controlada, a mudanças de clima. Para a maioria, o frio provocou reclamações.

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo pode ajudar a proteger a saúde dos brasileiros de mais idade. Tem a ver com o sobe e desce dos termômetros no outono.



Quando o assunto é temperatura, parece que todo mundo tem a resposta na ponta da língua. A preferência não é só questão de gosto. Pode ter relação com o lugar de origem, a rotina, os hábitos de cada um. E também com a fase da vida.

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo já testou, entre outras coisas, a sensibilidade de idosos a variações de temperatura. Eles foram submetidos, de maneira controlada, a mudanças de clima.
Numa sala fechada, a temperatura era alterada gradativamente de 16° para 24° e depois 32° graus. E em sentido contrário também.

Para a maioria dos 88 idosos, analisados um a um, o frio provocou reclamações. Do calor, quase ninguém se queixou.

“Estava bem, sem problema. O calor é melhor para o idoso do que o frio”, diz Moacir Padovese, voluntário da pesquisa.

Segundo os pesquisadores, o frio incomoda mais os idosos porque é associado a doenças e traz desconfortos como dores musculares e nas articulações. O idoso se preocupa menos com o calor. Além disso, no cérebro dele, a resposta às mudanças de temperatura é mais lenta. Um perigo.
“Essa menor sensibilidade coloca eles em risco, porque eles demoram mais para tomar uma medida comportamental para poder se proteger do calor”, explica Beatriz Maria Trezza, geriatra da Faculdade de Medicina da USP.

“Poderia desidratar mais, ter uma tontura e eventualmente cair por conta dessa tontura, então essa é uma das coisas que poderia eventualmente acontecer”, completa Alexandre Bucci, geriatra da Faculdade de Medicina da USP.

Outra característica dos idosos é não sentir muita sede. Bem orientados, Esméria e Moacir não se arriscam.

“Eu tomo muita água, também não abuso de horários assim mais fortes de me expor ao sol em horários mais quentes”, comenta Esméria Rovai, voluntária da pesquisa.

“Eu deixo sempre uma jarra de água cheia em cima da mesa da cozinha para lembrar porque você não sente mesmo”, conta Moacir Padovese, voluntário da pesquisa.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Barbara Beskind, a avó do Vale do Silício

Aos 90 anos conseguiu trabalho na empresa da qual saiu o primeiro ‘mouse’ da Apple

O sonho de Barbara Beskind sempre foi ser designer, mas a vida foi passando sem que ela pudesse exercer esse ofício. Há dois anos, viu na TV uma entrevista do fundador da Ideo, David Kelley, na qual falava da importância de contar com uma equipe diversificada de projetistas. Ficou tão fascinada que mandou uma carta se oferecendo. Depois de várias entrevistas, obteve o emprego após completar 90 anos. Uma conquista e tanto no Vale do Silício, onde fazer 30 anos significa chegar ao topo, onde se oculta a data de nascimento no currículo e onde apenas 1% dos pedidos de emprego são aceitos. Barbara é uma raridade, mas ali está, integrando a equipe de criadores dessa empresa em que não só desenha, como também dá sua opinião sobre os produtos para idosos. E não se trata de uma empresa qualquer. Da Ideo saiu, por exemplo, o primeiro mouse da Apple.

Gretchen Addi, uma sócia do estúdio, foi encarregada de comprovar que a história de Barbara era certa, que a antiga enfermeira da II Guerra Mundial poderia agregar valor à equipe. “Quando fui visitá-la em casa, ela exibiu os protótipos em que trabalhava”, conta. Gretchen foi, em grande parte, a “culpada” pela contratação. “[Barbara] tem uma vida apaixonante”, diz. É verdade. Seu voluntariado durante a guerra e sua licenciatura em arte e design na Universidade de Siracusa a transformaram na candidata perfeita para se instalar em Baumholder (Alemanha) entre 1955 e 1957 com o objetivo de revisar o funcionamento de uma máquina que feria as mãos dos operários. Do fim dos anos sessenta até sua aposentadoria, trabalhou como professora para estudantes com dificuldades. No pedido de emprego em que falou de sua vida profissional, também explicou que, apesar de sua idade, era capaz de se mover de maneira autônoma – embora use dois bastões de esqui para caminhar – e tinha energia suficiente para se integrar à equipe.

Sidney La Londe, uma de suas colegas de trabalho, pede desculpas pela recusa de Barbara em falar com a imprensa. Ela só vai trabalhar alguns dias, normalmente uma vez por semana. Um carro a deixa na porta da sede, em Palo Alto, e depois volta para buscá-la pouco antes das três da tarde. “Há pouco tempo ela trocou de projeto. Não vem sempre. Prefere usar suas energias exclusivamente em seu trabalho”, justifica Sidney.

Em julho de 2013, Barbara entrou na empresa com a alegria de uma estagiária – de lenço, calça jeans e tênis esportivos, um clássico da região. Sua primeira contribuição desde que chegou à Ideo foi uma bengala – parecida com um andador, mas com modificações importantes. Enquanto o modelo comum provoca um evidente desequilíbrio – a pessoa precisa inclinar o corpo para a frente para mover o aparelho, algo não tão simples quando os músculos perdem vigor –, o dela é um pouco mais alto e conta com partes basculantes para melhor adaptação. “A forma de andar é mais natural e a aderência em caso de emergência, também”, explicou em uma palestra para alunos da Stanford, a universidade de ponta da Costa Oeste dos EUA, próxima de seu trabalho. Na Ideo, logo perceberam que ela estava certa, mas também que, além de seus bons projetos, o nicho de mercado de produtos para idosos é cada vez maior.

Os colegas de trabalho destacam duas qualidades em Barbara: sua facilidade para experimentar qualquer ideia, por mais louca que pareça, e seu lema, “mantenha a simplicidade” – algo que, talvez sem que ela saiba, a aproxima muito da doutrina com base na qual Steve Jobs construiu a Apple.
No Vale do Silício, onde todos pensam em fazer fortuna e se aposentar, onde um dos temas recorrentes é “morra jovem e deixe um bonito cadáver”, ou “empreenda e venda logo sua empresa”, Barbara Beskind só pede mais tempo para poder desfrutar do emprego de seus sonhos. Ela já confessou que um de seus segredos é que se considera muito superior a seus companheiros na hora de se concentrar. É capaz de pensar sobre um problema concreto durante mais de quatro horas sem interrupções. A chave? Seu celular só serve para fazer ligações de emergência – sua pequena capacidade visual mal lhe permite usá-lo. A abstração é sua melhor ferramenta.


Fonte: El País